Domingo, Janeiro 04, 2009

Bastet


A vida repete essa dubiedade cósmica
Por um lado o bem e do outro o mal
Por um lado a felicidade por outro a infelicidade
Por um lado a fartura por outro a falta
Por um lado a benção por outro o vampirismo

Desde que me lembro
Vivo entre estes opostos complementares
Os três beijos da traição e o amparo inesperado
Bastet me foi enviada, durante o tempo em que minha vida foi diariamente roubada
A ela devo estar aqui hoje
Aprendendo a valorizar o presente
A acreditar no futuro
E a ver o passado com um aprendizado violento

Dia 10/12/2008 ela foi Reinar neste infinito que nos envolve
Eu
Como simples ser humano limitado choro a sua falta
E como agradecimento dediquei a ela uma parte querida do meu coração
E dos meus sorrisos

Me curvo a esta Rainha
E sou grata aos seres superiores por tal honra que me foi dada
Nêga ....... eternamente serei tua

Domingo, Agosto 31, 2008

Uma Noite


Um som de violino chega pela varanda
O calor é grande
O Céu cheio de estrelas brilha
Todos os abajures acesos
Deito no chão da varanda
Suspiro profundamente e o violino invade a minha volta
O ar quente de maresia percorre todo espaço
Belo, sensível, uma calmaria
Que me leva a desejos
Sonhos, visões e delírios
Um prazer imenso toma conta do meu corpo
Me sinto seduzida
Acarinhada por estas notas quentes de mormaço noturno
Me arrepio e todo som abraça minha pele aberta de sensações
Olho a lua
Suspiro novamente
E continuo a me deixar envolvida pelo carinho das cordas do violino.....

Quinta-feira, Julho 17, 2008


Em março de 1993, tive meu primeiro contato com o perder, alguém que amo, em um acidente
Sem explicações o carro capotou logo após o pedágio
Até hoje não sei o que aconteceu
Mas recebi meu Pai para o funeral
Sou uma pessoa com grande dificuldade para perdas, talvez por isso sofram tantas
Mas lá estava ele
Deitei em seu peito pela última vez e fui embora quando muitos chegaram
Até hoje nos encontramos em sonhos

No domingo do dia 13 de julho, às 15h30min hs experimentei exatamente o que ele passou
Mas para minha surpresa
Eu poderia morrer, pois a tranqüilidade que senti, a calma, a certeza de que tudo estava bem me permitiu sentir que viver e morrer era isso: uma fagulha menor que um segundo
E que apesar de todos os medos que nos fazem acreditar, morrer é um suspiro de tranqüilidade

Mas não morri, saí do carro capotado preocupada com quem estava comigo e com o bando de pessoas que apareceram para ver se encontravam alguma tragédia cheia de sangue e horror
Um bando de pessoas, que não imagino de onde apareceram e depois desapareceram vieram sedentas
Como só o carro ficou acabado eles ficaram desolados e foram embora

Claro que um deles me mandou ir à igreja evangélica agradecer Jesus, pois eles estão em todos os lugares
Agradeci da minha forma e dentro da minha Fé
E me sinto plena

Hoje, depois de muitas vivências em torno da chamada morte ou da passagem para outro plano, sinto que morrer
Ou passar é um movimento normal, carregado do saber da obviedade do ato e principalmente muito tranqüilo – sem uma mulher horrorosa com sua foice
Mas sim um sorriso aquecido pelo sol e pelo entregar-se ao caminho ou jornada de todos nós

Tenho muitos projetos, sonhos e ainda não quero ir embora deste lugar que ainda me fascina
Mas já sei que quando for o momento irei sorrindo, desvendar o outro lado do Rio
E como sou curiosa ...

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

O Tempo e o Esquecimento




“ O Tempo é como um Rio onde Banhei os Cabelos de minha Amada ....
Como não volta aquela antiga Madrugada “




Dentro da contínua movimentação do tempo, onde não percebemos as modificações sutis,
Meus olhos ficaram frente a frente, em um instante de séculos, do que se tornou, os olhos parados e sem desejos que encontrei em uma manhã de segunda feira.
Apavorada diante da visão deste nada,
Que gritava
Voltei desesperadamente para mim
Uma parte da minha vida está sendo consumida e esquecida momento a momento
Só existindo dentro da minha memória
Não tenho poderes ou direitos para impedir o crescimento deste não tempo,
deste não passado,
deste final de sofrimento
Assisto
Somente isso
Assisto
Dolorida e já saudosa do que só eu guardo
45 anos juntas
Encontros e muitos desencontros
Amor e ódio se digladiando
Palavras ríspidas e palavras de preocupação
Movimentos contidos e movimentos de acolhimento
É como um final de tarde
Onde não se consegue ver direito
Os olhos ficam embaçados e as certezas desaparecem
Pela não nitidez
Eu espero que, diferentemente, quando eu for mudar para outro nível de tempo e espaço possa levar comigo todas as lembranças
As que me fizeram muito feliz e as que me fizeram completamente descrente na razão de se viver
Minha vida continua
Porque assim o desejei
E respeito e honro sua escolha de ir em uma Aurora Boreal

Meu coração é eternamente seu ....


Musica de Caetano Velloso
Imagem de Caravaggio
- texto escrito para minha Mãe

Sábado, Novembro 03, 2007

e se fecha o círculo .....


Terça-feira, Setembro 11, 2007


Tudo a um passo de finalmente SER ....

e invade o medo

a alegria

a fúria

a fome

o desejo

o lento tempo

o músculo atento

a vontade do berro

o sorriso

da calma de chegar

( suspiro )

Sábado, Setembro 08, 2007




A Roda da Fortuna fez seu ciclo
As Parcas voltaram o fio, onde me perdi e me esqueci

Início novamente
Do mesmo ponto
Sem mais me iludir com atalhos ou florestas
Com a beleza sedutora

Hoje a terra me fixa ao dia cotidiano
Meu olhar mudo constantemente em busca de novos focos
Novos ângulos
Novos enquadramentos
Novas perspectivas

A Vida pulsa prazerosamente dentro de mim
Entre afetos
Feitos
Desejos novos e velhos amigos
Amigos novos e sonhos antigos

Iroko
Orixá Maior
Tempo
Fez seu belo trabalho dentro e fora de mim
Sinto-me honrada com a possibilidade
Dada
E por mim merecida
De voltar os fios
E me deixar encaminhar pelo percurso que me pertence




Photo: Nadja Voss - Via Dutra